Dia 1 . Quinta-feira, 17 de Junho de 2010
09h00
Entrega de documentação
09h15
Miguel ALMEIDA . Estruturas de produção e transformação no mundo rural romano do Alentejo interior: problemas e objectivos científcos.
O modelo da villa assumiu um papel determinante no povoamento romano do sul peninsular e
(nomeadamente no Alentejo interior) onde estas unidades produtivas, responsáveis pela organização do espaço,
da produção e das relações sociais no mundo agrário, se assumiram como elementos estruturantes da difusão dos
modos culturais romanos, do ordenamento latifundiário e da própria estratégia romana de controlo
político-administrativo do território.
Se num passado recente a Arqueologia se concentrou nas vertentes sócio-política e cultural deste projecto
de ordenamento do território sul-peninsular, privilegiando o estudo das zonas habitacionais nobres das villae,
a multiplicação de intervenções arqueológicas preventivas – sobretudo decorrentes do projecto hídrico de
Alqueva – contribuiu para uma alteração fundamental desta orientação da investigação.
Com efeito, na medida em que os projectos que motivam as intervenções de salvamento afectam sobretudo
implantações topográficas diferentes das opções romanas de instalação das partis urbanae das villae,
assistimos ultimamente a um crescimento significativo do registo arqueográfico relevante para o estudo das
áreas técnicas dedicadas à produção agrícola e para-industrial das villae. Um movimento, aliás,
correlativo de outros noutras zonas peninsulares e acompanhado por projectos de investigação agora mais
orientados para problemáticas de cariz sócio-económico, que vêm produzindo resultados fundamentais para a
compreensão dos aspectos económicos daquele programa de ocupação territorial.
Tal renovação epistemológica decisiva, operada a partir da do terreno e da renovação da base documental
empírica, conhece entretanto limitações importantes impostas por um registo arqueográfico apenas
indirectamente representativo das actividades originais de produção e frequentemente muito fragmentário:
quer por força da preservação tafonómica diferencial das diversas actividades técnicas no registo arqueológico;
quer – em grande parte(!) – pela restrição das intervenções arqueológicas às áreas de afectação directa dos
projectos de engenharia (fruto tanto de uma determinada interpretação administrativa das normas de protecção
do património, como da escassa relação entre a Arqueologia de salvamento e a investigação fundamental em
Arqueologia).
No momento actual esta questão científica parece oscilar entre: (1) a dificuldade de interpretação objectiva
das estruturas técnicas, frequentemente fragmentárias e oferecendo poucas possibilidades de comparação
objectiva; e (2) o enorme potencial científico das linhas de investigação admitidas por este novo registo.
A reunião proposta pela Dryas centra-se em questões fundamentais para a o futuro imediato da produção
científica nesta área, entre as quais: a reconstituição dos processos formação e evolução pós-deposicional do
registo estratigráfico; a compreensão e contextualização histórica dos processos de utilização, reutilização
e abandono das estruturas técnicas; a determinação da funcionalidade específica destas estruturas; as questões
de organização interna do espaço à escala do sítio; e as relativas às redes económicas e comerciais destas
unidades produtivas a diferentes escalas geográficas.
09h30
Carlos FABIÃO . Estudar as estruturas de produção agrária no mundo rural romano do interior alentejano.
Durante muitos anos existiu um duplo paradoxo no estudo do mundo rural romano do espaço hoje português: do
povoamento rural estudava-se somente um dos modelos, a villa; e, nas villae, privilegiava-se a
escavação da pars urbana, ou seja, da área que menos relação tinha com a produção agrária propriamente
dita.
Nas últimas décadas, algumas importantes transformações ocorreram. Por um lado, ganhou consistência a ideia
de que o povoamento rural romano não era constituído somente por villae e a atenção voltou-se também
para as estruturas produtivas propriamente ditas – neste particular, merece especial destaque todo o programa
de estudos desenvolvido na região da Vidigueira, quer nas villae de S. Cucufate, quer no território em
geral, um marco na investigação do mundo rural romano do interior alentejano.
Contudo, o reconhecimento da diversidade de formas de povoamento, por um lado, e a consciência da
importância do estudo das estruturas produtivas, não gerou propriamente programas de investigação que
centrassem a sua abordagem nestes temas do mundo antigo.
O recente crescimento das intervenções de arqueologia de contrato, sobretudo as desenvolvidas na área do
regolfo da barragem de Alqueva e nos sistemas de rega associados, trouxe um importante contributo para a
modificação deste panorama. Como as intervenções de contrato não obedecem a critérios de investigação, mas de
minimização de impactes, e como as áreas afectadas são aquelas onde se implantavam no passado muitas destas
estruturas produtivas, os arqueólogos depararam-se com um conjunto diversificado de sítios e estruturas de
que, de todo, não havia antecedentes de investigação. Para além disso, como tantas vezes sucede neste tipo de
intervenções, as escavações incidem, não poucas vezes, em segmentos de sítios e estruturas, o que dificulta
sobremaneira a sua interpretação e datação.
Algumas das dificuldades que a investigação enfrenta prendem-se, em primeiro lugar, com as dificuldades de
interpretação da natureza dos sítios (se pequenos núcleos autónomos, se partes de núcleos mais extensos e
complexos), mas também com as dificuldades inerentes à interpretação funcional das estruturas escavadas, que
exige algum conhecimento técnico das mesmas. Finalmente, com os problemas de datação. Estes últimos são
particularmente difíceis, pelo profundo conservadorismo que estruturas e alfaias agrícolas têm, inviabilizando
qualquer estratégia de datação intrínseca e colocando particular ênfase nas datações contextuais, elas
próprias frequentemente condicionadas pela sua própria natureza (por se tratar de estruturas não residenciais
e secundárias os materiais datantes tendem a ser escassos, sendo evidente também a sobrerepresentação dos
contextos de abandono.
10h00
Pedro SÁEZ FERNÁNDEZ . Tecnologia agrária no mundo rural romano: enquadramento geral.
En nuestra intervención vamos a plantear una introducción general a los estudios sobre tecnología rural
romana, con un recorrido sobre los autores y obras más importantes que han contribuido a su desarrollo.
Aunque, por el tiempo de que disponemos no podremos entrar en profundidad, si vamos a intentar hacer un
encuadramiento general, como se nos pide por parte de la organización de este Workshop. Por ello, vamos a
poner de manifiesto la importante información que pueden ofrecer las fuentes literarias, la arqueología y la
etnografía, a pesar de que pueda parecer que son ya disciplinas superadas en la moderna investigación
histórico-arqueológica.
Creo que conviene colocar en su justo lugar la importancia de cada una de estas materias. En cada caso
vamos a incluir nuestra experiencia personal desarrollada en los trabajos sobre mundo rural realizados en la
provincia romana de la Bética.
10h30
Conceição LOPES . A construção do espaço rural na civitas de Pax Iulia.
...
--- 11h00 . Pausa / Apresentação de posters ---
11h30
Sérgio GARCÍA-DILS DE LA VEGA . Proyecto AstiGIS. Estrategias de investigación en el territorio histórico de una colonia romana.
Se presenta una panorámica general de las investigaciones realizadas en el territorio histórico de la
colonia Augusta Firma Astigi (Écija, Sevilla), desde 1991 hasta nuestros días, dentro del marco del
Proyecto AstiGIS, desarrollado desde el Departamento de Historia Antigua de la Universidad de Sevilla con la
colaboración del Ayuntamiento de Écija.
El estudio de este extenso territorio (1231,26 Km2) se ha abordado desde una perspectiva multidisciplinar
y diacrónica, cubriendo un marco cronológico que abarca desde la Protohistoria hasta el siglo XIX. Desde los
inicios del Proyecto, se ha utilizado ampliamente como herramienta metodológica los Sistemas de Información
Geográfica a diferentes escalas, aplicándose además desde el año 1999 procedimientos digitales de adquisición
de datos en campo o FDDA (Field Digital Data Acquisition)
12h00
António CARVALHO, Maria José ALMEIDA . Quinta das Longas: evidências e testemunho indirectos de estruturas de produção e transformação agrícola numa villa do ager emeritense
A uilla romana da Quinta das Longas integrava o território que a colónia Augusta Emerita
tutelava simultaneamente enquanto capital da Lusitânia, do conuentus e da ciuitas emeritensis,
situando-se na área de convergência dos dois principais itinerários terrestres que ligavam a capital da
província ao porto atlântico de Olisipo.
Os trabalhos arqueológicos, realizados sistematicamente no local desde 1990, centraram-se na pars
urbana da uilla baixo-imperial, sendo contudo possível reconhecer elementos relevantes para a
caracterização de estruturas de produção e transformação agrícola integradas numa fase de ocupação romana
cronologicamente anterior.
Apresentam-se as evidências materiais identificadas e os testemunhos indirectos da actividade agrícola,
nomeadamente as que se relacionam com a produção de azeite (concretamente a identificação de uma mó olearia
e a existência de estruturas que podem pertencer a uma área destinada à actividade produtiva relacionada com
o esmagamento de um fruto ou com a decantação de líquidos.
O espólio anfórico conservado no registo arqueológico – mas, também, a ausência dele – permite tecer
algumas considerações sobre a produção de azeite e vinho em época romana e, consequentemente, os padrões de
consumo local.
12h30
Francisco GERMÁN RODRIGUEZ MARTÍN . La oleocultura y vinicultura en el valle medio del Guadiana, el ejemplo de la villa de Torre Águila (Barbaño, Badajoz)
Son pocas las villae en las que las excavaciones se han centrado en la pars rustica y fructuaria.
Hay que señalar que contamos con una de las zonas con pocos restos que nos hablen de complejos industriales
importantes, como es el caso de la hacienda romana de Torre Águila. Pese a esa carencia se pueden sacar
importantes conclusiones en cuanto al conocimiento de la elaboración de aceite y vino. Se pone de manifiesto
que la producción no estaba reservada únicamente para el autoconsumo, sino también para la exportación, como
ponen de manifiesto los sofisticados sistemas de refinado a los que era sometido el aceite, así como los
grandes contenedores.
A los conjuntos de torcularios de los conocidos, hay que sumar los numerosos vestigios que nos ponen en la
senda de la enorme importancia que llegó a tener este modelo económico, nos referimos a los pies de prensa, a
los contrapesos, etc., ampliamente dispersos por todo este territorio. Es difícil en muchas ocasiones, sin
contar con una excavación sistemática, o con otros elementos que claramente nos indiquen una dirección más o
menos correcta, poder vincular estos restos a una u otra actividad productiva.
13h00
Discussão.
--- Pausa para Almoço ---
14h30
Teresa SOEIRO . Tecnologia vernacular e produção agrícola no Portugal contemporâneo.
Na viragem para o séc. XIX Portugal era um pais rural, dedicando-se sua população maioritariamente à
agropecuária. Residindo fora das cidades, que também incluíam numerosos espaços e práticas da ruralidade, esta
população distribuía-se de forma desigual pelas várias regiões do pais, entre ocupações longamente
sedimentadas e sítios novos, conquistados individual ou colectivamente ao inculto, situações a que vai
corresponder uma diferente disponibilidade e utilização de meios técnicos e organização do trabalho para
valorização dos recursos. A todos se requer uma exploração intensa e diversificada, que simultaneamente
sustente o auto-consumo, crie excedentes para o nascente mercado nacional (urbano e oficinal/industrial) e
gere bens especializados passíveis de exportação.
Tanto ou por vezes mais do que a habitação, são as estruturas de produção que prestigiam a casa e a
comunidade. Idealmente, cada unidade de produção devia possuir ou ter acesso aos equipamentos necessários à
transformação e arrecadação dos frutos gerados: para o pão, base da alimentação, é preciso eiras para secar e
separar o grão, tulhas e/ou espigueiros para o guardar, moinhos para o farinar, forno para cozer; colhida, a
uva passa ao lagar e à prensa, para encher de vinho o vasilhame da adega, onde continuará a ser trabalhado; a
azeitona pode ser curtida de imediato ou transformada no engenho e o azeite guardado em talhas, arcas ou latas.
Vemos como só para esta básica tríade mediterrânica a multiplicação de equipamentos e espaços especializados
já é assinalável. Se agora lhes acrescentarmos outros elementares como: os destinados à criação do gado e
preparação dos estrumes, que podem ir da simples curralada ao pombal edificado e à oficina do ferrador; os
destinados à transformação do leite em queijo e sua preservação; à produção de mel e cera, com o seu lagar; à
preparação das fibras têxteis, pelo menos recorrendo a teares e pisões; à serração das madeiras; à curtimenta
de peles com o conexo cultivo e moagem do sumagre, tão procurado pela Europa do Norte; e um muito longo etc.,
multiplicam-se as construções adjectivas, nas herdades, possuídas individualmente ou com consortes pelas casas
de lavoura, e pelas aldeias que delas dispunham em comunidade.
Acentuaremos, porém, que apesar da aparente atemporalidade das tecnologias evocadas, não podemos esquecer
quer a historicidade da sua implementação e inovações de que foram alvo, quer o seu lugar nos diferentes
contextos socioeconómicos de utilização.
15h00
Antoni MARTÍN i OLIVERAS . El Proyecto Cella Vinaria y el Complejo Vitivinícola de Vallamora (Teiá, Maresme, Barcelona): análisis de estructuras productivas, técnicas, processos y procedimientos vitivinícolas de Época romana.
El Parque Arqueológico CELLA VINARIA que dispone de un plan director, de un proyecto museológico, de un
proyecto museográfico y de diversos proyectos urbanísticos, arquitectónicos y otros estudios específicos
propios, es ya una realidad tangible des del pasado 20 de junio de 2009, día en que se inauguró oficialmente,
abriendo sus puertas al público.
Se encuentra ubicado en el término municipal de Teià en la comarca del Maresme, situado a unos 20 km, al
nordeste de la ciudad de Barcelona. Se trata de un equipamiento complejo en el cual, cubriendo un área de
unos 25.000 m2, conviven inicialmente tres elementos que ofrecen diferentes recursos al visitante: Un
Centro de Acogida Turística (CAT) con un espacio expositivo multimedia sobre la Romanización en Cataluña, el
yacimiento vitivinícola de Vallmora musealizado y un viñedo romano experimental. En un futuro se incluirá
también la visita al Museo del Vino Layetano y a una bodega romana para el estudio experimental de los
procesos de producción y los procedimientos de vinificación en época antigua.
El Programa de Investigación del proyecto que incluía la excavación, registro y documentación de las
diferentes estructuras arqueológicas, su situación en su contexto histórico y sociocultural y su estudio
interpretativo y funcional para la reintegración parcial de aquellas estructuras constructivas y productivas
que facilitaran la comprensión del yacimiento, se planteó, ya desde sus inicios, como un gran ejercicio
interpretativo de arqueología experimental desarrollado con el máximo rigor científico, en la línea de las
últimas tendencias de la investigación aplicada.
Los restos arqueológicos excavados en este yacimiento entre los años 1999 y 2005 corresponden a un centro
de producción vitivinícola romano en funcionamiento entre los siglos I a.C y V d.C, documentándose tres salas
de prensado con dos prensas de biga cada una, diversos calcatoria para el pisado de la uva y laci para la
recogida del mosto, diversas salas de almacenaje con dolia defossa para la fermentación y su transformación
en vino, además de otras dependencias productivas y de habitación para la mano de obra.
La musealización del parque arqueológico, se nutre de los datos aportados por dicho programa de
investigación. Así los trabajos de reintegración volumétrica de las diferentes estructuras arqueológicas se
llevan a cabo siguiendo las tècnicas constructivas documentadas durante la excavación y/o basándose en
paralelos arqueológicos de otros yacimientos de la misma época y período cronológico, primando un criterio
de proximidad geográfica. La reconstrucción de las dos grandes prensas de biga romanas que se presentan en
el yacimiento se formalizó a partir de un estudio específico a tal efecto de casi un año de duración,
desarrollado por un equipo multidisciplinar, siguiendo criterios técnicos y científicos basados en los datos
proporcionados por la evidencia arqueológica, los condicionantes mecánicos funcionales, los datos aportados
por las fuentes escritas: Catón, Columella, Plinio el Viejo, Varrón, etc., el análisis de paralelos
etnográficos de prensas modernas pre-industriales y los datos aportados por la arqueología experimental;
especialmente a partir de la experiencia constructiva de la prensa catoniana del Mas de Tourelles
(Beaucaire-Francia), desarrollada por J.P. Brun y A. Tchernia en 1994. Igualmente, la recreación de un
viñedo romano se ha planteado como un campo experimental para el estudio de las técnicas y los procesos
vitícolas de cultivo y recolección: Preparación del terreno, selección de variedades, sistemas de conducción
y cuidado de la vid, crecimiento, maduración, selección, etc. Todo ello para explicar, dentro de su contexto
y mediante la dinamización y puesta en valor del yacimiento vitivinícola de Vallmora, el fenómeno histórico
del orígen, desarrollo y expansión de la producción vitivinícola en la antigua región Layetana y el comercio
del vino tarraconense en época romana (s. I a.C- V d.C.).
15h30
Yolanda PEÑA CERVANTES . Evidencias arqueológicas de la elaboración de vino y aceite en época romana.
...
--- 16h00 . Pausa ---
16h30
Mónica CORGA, Miguel ALMEIDA, Gina DIAS, Catarina MENDES . Registo arqueo-estratigráfico e diversidade de estruturas na villa da Herdade dos Alfares (S.Matias, Beja).
A relocalização no terreno e observação de materiais arqueológicos de superfície em sede de estudo de
impacto ambiental do Troço de ligação Alvito-Pisão confirmou o risco de afectação do sítio arqueológico da
Herdade dos Alfares (São Matias, Beja) pelo traçado daquele projecto.
Os resultados da intervenção de avaliação do potencial e riscos arqueológicos executada pela Dryas
revelariam a presença de um registo arqueológico importante, motivando a escavação arqueológica subsequente da
totalidade da área do sítio afectada pelo projecto de engenharia.
Assim, abrangendo uma área total de escavação muito consequente, mas necessariamente limitada à largura do
traçado de afectação da conduta a instalar, os trabalhos Dryas viriam a revelar vestígios de um conjunto vasto
de edificações tecnológica e contextualmente atribuídas ao período romano imperial, dispersas por toda a
vertente voltada a Sudoeste da ligeira elevação em cujo topo eram já antes conhecidas estruturas arqueológicas
atribuídas a uma villa romana.
Os dados recolhidos permitiram identificar diferentes núcleos construídos, provavelmente de funcionalidades
diversas, todos eles revelando fases de remodelação do edificado que testemunham uma ocupação mais ou menos
longa e contínua do local desde o século I d. C.
A análise da diversidade de estruturas e das técnicas construtivas utilizadas denuncia uma especialização
funcional diferenciada das áreas intervencionadas. A ser assim, o estudo destas estruturas é fundamental
para a compreensão das lógicas de organização do espaço no sítio ao longo do tempo, do mesmo modo que
permitirá contribuir para a constituição de um corpus regional das estruturas técnicas edificadas de Época
romana e das práticas produtivas a que se destinam.
Esta articulação entre os ditos núcleos edificados, localizados numa vertente cujo modelado também parece
ter sofrido alterações relevantes desde a ocupação romana, será indispensável para a interpretação do
funcionamento e diacronia do sítio e fundamental para a integração dos dados arqueográficos da Herdade dos
Alfares na construção do conhecimento acerca da ocupação rural romana no interior alentejano.
17h00
Susana Rodrigues COSME . Vestígios de actividade metalúrgica em contexto tardo-romano. O sítio de São Faraústo 2.
O sítio arqueológico de S. Faraústo 2 (Oriola, Portel, Évora) localiza-se numa área sobranceira à ribeira
de Oriola, a uma altitude entre 198m e 205m, assim designado pela existência de pequeno templo religioso em
ruína.
A intervenção arqueológica decorreu no âmbito do Plano de Minimização de Impactes sobre o Património
Cultural da construção do Troço de Ligação Loureiro / Alvito, ficando a cargo da Archeo’Estudos, Lda.
Na globalidade foram intervencionados 2134m2, conjugando meios manuais e mecânicos, ao longo de 135 dias
úteis distribuídos por 4 fases de trabalho entre Abril de 2004 e Novembro de 2005.
Os trabalhos arqueológicos permitiram identificar duas zonas distintas de ocupação: uma a Norte ou Espaço
Habitacional (sondagem 7 com 750m2) e outra a Sul ou Espaço Industrial (sondagem 3, 4, 9, 10 e 11 com
aproximadamente 600m2).
Quanto ao espaço habitacional, que se encontra ao nível dos alicerces devido à constante destruição
provocada pelo uso agrícola do solo, é caracterizado por um edifício com pelo menos três salas, duas delas com
comunicação entre si através de um degrau e outras duas com uma abertura virada a um espaço aberto no interior
do edifício. Não foi possível detectar pisos de ocupação e mesmo os níveis de derrubes encontram-se muito remexidos.
Os muros são constituídos por xisto e tegula, encontrando-se as valas de construção abertas na rocha-base.
No que se refere ao espaço industrial, foram identificados uma série de depósitos constituídos por
quantidades significativas de cerâmica comum e de construção e blocos de escória. De um universo de cerca de
72.000 fragmentos de espólio arqueológico recolhidos em toda a intervenção, cerca de 40% são provenientes
destas unidades estratigráficas específicas. Foram ainda detectados 7 covachos com cerca de 2m de diâmetro,
cujo enchimento era constituído por sedimento negro e material cerâmico, bem como um forno de argila
refractária.
Se o espaço habitacional apresenta uma cronologia do século III d.C. ao V d.C., os materiais da zona
industrial remetem para um intervalo de tempo entre o século I d.C. e o século V d.C.
Associando-se aos contextos arqueológicos a presença do templo dedicado a um Santo Mártir alto-medieval e
uma área de dispersão de materiais mais do que a zona intervencionada, acreditamos estar perante uma villae
de cariz rural e/ou metalúrgico de época romana cuja ocupação poderá ter perdurado até ao limiar da Idade
Média.
17h30
Sandra BRAZUNA, Sofia de Melo GOMES . O forno de cerâmica de Xerex de Baixo 13.
A intervenção no sítio Xerez de Baixo 13 surge na sequência dos trabalhos desenvolvidos no âmbito do EFMA
– Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, centrado na barragem de Alqueva, integrando o Bloco 10
(Ocupação Romana na Margem Direita do Guadiana: entre a ponte da Ajuda e a ribeira do Álamo).
A sua identificação decorreu da presença de cerâmica comum e de construção à superfície por uma área
relativamente reduzida. Por ser um sítio que iria ficar totalmente submerso pelo plano de bacia, foram
previstos trabalhos para diagnóstico de tipologia, cronologia e estado de conservação.
As quatro campanhas realizadas, entre 1998 e 2001, revelaram estar-se na presença de um complexo rural
composto por dois edifícios articulados em torno de um pátio central. O edifício 1 corresponde à ala Oeste e é
interpretado como espaço habitacional; o edifício 2 possui uma planta em U e preenche as alas Norte, Este e
Sul.
A intervenção permitiu identificar três fases construtivas, pertencendo à IIª fase a arquitectura principal
do complexo rural. A IIIª e última fase identificada subdivide-se na fase III.I, que corresponde a
reestruturações pontuais e a fase III.II, atribuída aos níveis de utilização identificados. De acordo com o
espólio identificado, considera-se que o sítio do Xerez de Baixo 13 terá sido ocupado no séc. I d.C., com
possibilidades de se estender até ao séc. II d.C.
Da última fase, é de destacar a presença de um forno de cerâmica integrado na estrutura do edifício da ala
Norte. O forno apresenta uma tipologia subquadrangular, com uma área aproximada de 6.50 m2. A boca de
alimentação dá para uma antecâmara, com cerca de 3.00 m2.
A presença deste forno associada à análise macroscópica realizada ao espólio recolhido levantou a questão
de estas peças serem de produção local. Neste âmbito, foi desenvolvido um estudo arqueométrico e de
termoluminoscência onde se analisou um conjunto de amostras que incluem fragmentos de cerâmica comum (dos
diversos grupos morfológicos criados a partir da análise macroscópica), pesos de tear, material de construção
(tegulae e ímbrices incluindo desperdícios) e amostras das argilas utilizadas na construção do forno.
18h00
Carlos FERREIRA, Mónica CORGA, Gina DIAS . A villa da Aldeia do Grilo (Serpa, Alentejo, Portugal): Torcularium e evidências de actividades produtivas.
...
18h30
Discussão.
Dia 2 . Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
09h00
Paulo REBELO, Nuno NETO, Raquel SANTOS . Estruturas de condução de água: Quinta Nova 2 - Évora. Paralelismos com o aqueduto da Villa romana do Alto da Cidreira (Cascais).
A estrutura de condução de água de época romana de Quinta Nova 2 (Évora) foi descoberta aquando do
acompanhamento arqueológico da construção da Rede Viária do Aproveitamento Hidro-Agrícola do Monte Novo. Os
elementos estruturais intervencionados, apesar de algo destruídos, permitiram o entendimento de materiais,
técnicas e métodos adoptados na sua construção.
O paralelismo regional para este tipo de estruturas, de tipologia semelhante (Horta dos Coelhos, S. Manços)
ou díspar (Quinta Nova 1, Casarão da Mesquita 2 e Monte dos Cunqueiros), bem como a sua relação com
estruturas de condução de água em outras regiões como na zona de Cascais (Alto do Cidreira), para além do
cruzamento da informação arqueológica com fontes clássicas como a obra de Vitrúvio (De Architetura),
permitiram leituras ao nível das técnicas construtivas adoptadas em época romana na região do Alentejo e
Lisboa.
09h30
Mónica CORGA, Maria João NEVES, Gina DIAS, Catarina MENDES . A pars rustica da villa de Santa Maria (Serpa): discussão em torno de funcionalidade e diacronia de estruturas a partir de uma intervenção arqueológica preventiva.
Os trabalhos de escavação arqueológica no sítio de Santa Maria realizaram-se no âmbito da minimização de
impactes sobre património arqueológico, decorrentes da construção do Bloco de Rega de Serpa – Bloco B,
promovida pela EDIA SA.
O potencial do sítio, já anteriormente referenciado como villa romana, foi reconhecido em fase
prévia de Avaliação de Impacte Ambiental e confirmado aquando das sondagens de pré-avaliação, o que viria a
determinar a escavação da totalidade da área com vestígios preservados a afectar pela infra-estrutura de rega.
A intervenção Dryas permitiu então recuperar uma série de vestígios de grande relevância histórico-arqueológica,
correspondentes a uma ocupação de tipo villa que se sediaria numa área topograficamente mais
proeminente, com uma ocupação que remonta pelo menos até ao séc. I d.C.
Nas áreas intervencionadas foi identificado um possível espaço de silagem, uma zona sepulcral e um conjunto
edificado de cariz técnico de funcionalidade específica ainda por determinar.
Dos resultados obtidos destacamos a base pétrea das paredes de um edifício de planta ortogonal, mas
sobretudo duas estruturas tipo “tanque”, construídas em pedra argamassada e alvenaria de tijolo burro,
utilizado nas paredes sul e oeste, as mesmas que apresentam nichos em arco.
A dispersão espacial da área de intervenção, não obstante as suas limitações específicas inerentes ao
enquadramento da mesma numa estratégia de minimização, possibilitou a escavação de uma diversidade de espaços
que terão existido em articulação funcional e que nos oferecem uma janela sobre a vivência quotidiana e
estratégias de subsistência das pessoaos que habitaram estes espaços.
Estas observações, resultantes de trabalhos muito parciais sobre o registo arqueográfico de Santa Maria
justificam a prossecução dos trabalhos de análise da informação recuperada neste sítio segundo uma estratégia orientada para os objectivos principais de atribuição
funcional e aferição cronológica fina das ocupações identificadas, privilegiando o estudo detalhado da
componente artefactual incluída nos depósitos preservados, a análise aprofundada das técnicas, métodos de
construção e funcionalidade das estruturas tipo “tanque” e a comparação com outros sítios coevos da região.
Os resultados deste esforço de interpretação, contudo, não deixarão de estar condicionados pela limitação
que decorre da restrição da intervenção realizada no sítio à área de afectação pelo projecto de Engenharia.
10h00
Susana Rodrigues COSME . O lagar de vinho romano da Insuinha 2.
A estação arqueológica da Insuinha 2 (Pedrogão, Vidigueira, Beja) localiza-se numa encosta de declive suave
na margem direita do Guadiana, junto à foz da Ribeira de Marmelar, numa zona de delta e de fácil transposição
do rio, como tal, um lugar estratégico de controlo desta via.
Este sítio foi detectado no decorrer dos trabalhos de implementação do Plano de Minimização de Impactes
Patrimoniais no Açude do Pedrógão no ano de 2004, foi objecto de sondagens de avaliação em 50m2 nesse mesmo
ano e de uma segunda fase de trabalhos entre Agosto e Setembro de 2005 numa área de 250m2.
A intervenção identificou um edifício de época romana, possivelmente uma villa, embora a sua
tipologia formal e funcional não tenha sido possível caracterizar. A destruição provocada pela intensa prática
agrícola, impossibilitou a detecção de qualquer piso associado à estrutura, na área intervencionada.
A uma cota inferior foi detectado um complexo de espaços associados à pars rustica, com
características construtivas sólidas:
- tipologia dos muros e seus embasamentos de forma a manter estabilidade numa zona aluvionar;
- pavimentos e paredes rebocados a opus signinum;
- sistema de drenagem de águas de forma a estabilizar o edifício e ao mesmo tempo, rentabilizar o uso da
água;
- uso de elementos arquitectónicos como as colunas adossadas nas paredes, como o atestam duas bases em
granito, um fuste de coluna e dois silhares de granito;
Neste edifício destaca-se a presença de um lagar de vinho com um tanque de reduzidas dimensões revestido a
opus signinum, com um orifício composto por um cano em cerâmica, o qual certamente sustentaria uma
produção familiar.
Os materiais exumados, cerâmicos, metálicos e numismas remetem para uma cronologia do século IV/V d.C. As
cerâmicas são essencialmente de uso comum, doméstico e de acondicionamento, os poucos fragmentos exumados e o
facto de as peças aparecerem quase inteiras e serem exumadas in situ leva-nos considerar um único e
rápido abandono do sítio.
--- 10h30 . Pausa ---
11h00
Sandra BRAZUNA . A Villa da Herdade das Argamassas (Campo Maior).
A intervenção arqueológica realizada pela Era, Arqueologia, S.A. na Villa da Herdade das Argamassas,
sítio localizado no distrito de Portalegre, concelho de Campo Maior, inseriu-se num projecto de investigação,
com o mesmo nome, de âmbito mais vasto.
Os trabalhos de campo tiveram início com o levantamento topográfico da área de dispersão dos vestígios e a
realização de prospecções sistemáticas na herdade, abrangendo um total de 5,2ha. A informação resultante
permitiu a elaboração de diferentes mapas de distribuição dos vestígios e identificar diferentes zonas
funcionais. É o caso das concentrações de escória e vestígios de actividade metalúrgica ou dos espaços onde há
uma maior concentração de cerâmica fina ou de cerâmica comum. Esta informação revestiu-se, assim, de grande
importância para o estabelecimento de objectivos e áreas a intervencionar.
As escavações revelaram importantes mudanças estruturais e morfológicas na pars urbana durante os
séculos III/IV, com a criação de novos espaços e ambientes funcionais. É o caso dos compartimentos de planta
circular ou em abside. Numa fase posterior, a presença de alfaias agrícolas sobre os pavimentos de mosaico
sugerem uma reorganização funcional de pelo menos parte do edifício senhorial, podendo esta situação traduzir
a outra faceta da evolução do povoamento verificada nesta época: o desenvolvimento da grande propriedade, com
a integração de duas ou mais villae anteriormente independentes, numa nova unidade agrícola mais vasta.
11h30
Clementino AMARO, Sara RAMOS, Eurico SEPÚLVEDA . Estruturas industriais da Villa romana do Monte da Chaminé.
A villa romana do Monte da Chaminé situa-se a cerca de 3km a Sul de Ferreira do Alentejo, numa suave
encosta da margem esquerda da Ribeira de Canhestros. Foi identificada em 1981, ano em que também se iniciou a
primeira fase de escavações arqueológicas (1981-1988). A segunda fase de escavações decorreu a partir de 2007
e terá continuidade durante os próximos anos.
A villa terá tido uma ocupação longa no tempo que parece ter acontecido de forma permanente, entre,
pelo menos, os inícios do século I a.C. até inícios do século VI d.C., conforme indicia o espólio recolhido.
Durante este vasto período sofreu obras de remodelação e de alteração, em função de novos gostos e de novas
exigências, quer como residência, quer na necessidade de serem criados novos equipamentos agrícolas e
industriais.
A nível estrutural, a villa divide-se em duas partes, a habitacional (pars urbana) e a
“agro-industrial” (pars fructuaria). Na área de habitação estamos perante a habitação do proprietário,
uma casa que se estrutura à volta de um jardim central, ladeado por um espelho d'água, com quatro galerias
porticadas e onde se distribuem os diversos aposentos.
A pars fructuaria desenvolve-se a nascente da zona habitacional, apresentando já várias estruturas.
Um vasto compartimento em cave, identificado como armazém, é a estrutura que, até ao momento, se encontra
melhor preservada e com maior monumentalidade tendo em conta a sua área interior disponível (15,74m de
comprimento por 3,80m de largura) e onde subsistem troços de parede que atingem cerca de 1,65m de altura,
conservando o arranque da abóbada. Apresenta um corredor com cerca de um metro de largura, que servirá de
ligação a um outro espaço, e onde, em 2009, se identificou um grande elemento de peso de lagar. O corredor
sugere ser delimitado a Sul por um pátio. Este espaço em cave permite o arrumo de produtos que exigem uma
temperatura amena e constante e fraca presença de luz. No topo Nordeste do armazém foram identificados dois
tanques geminados, situação que nos leva a avançar a hipótese de se tratar de uma área que corresponda a uma
fase associada ao processo produtivo, presumimos, de azeite. Poderá tratar-se de um tanque de recepção e outro
de decantação, apresentando este uma saída de descarga na sua base, de onde se recolheram caroço e meio de
oliveira ou zambujeiro e duas sementes presumivelmente de cevada. A poente do armazém identificaram-se ainda
duas outras estruturas de cariz agrícola. Um pequeno sobrado, constituído por um conjunto de fundações
equidistantes entre si em cerca de 0,70m, onde assentaria um pavimento sobrelevado, permitindo a circulação de
ar, e um pequeno tanque argamassado, para recepção de líquido, reforçam a presença de áreas de armazenamento
e de produção de produtos agrícolas.
12h00
Mónica CORGA, Miguel ALMEIDA, Carlos FERREIRA, Maria João NEVES, Gina DIAS, Catarina MENDES . Avanços, lacunas e perspectivas de investigação
...
12h15
Intervenções dos relatores . Carlos FABIÃO, Pedro SÁEZ FERNÁNDEZ, António CARVALHO, Conceição LOPES
...
13h00
Discussão.
--- Pausa para Almoço ---
15h00
Visita à villa romana do Monte da Chaminé: enquadramento geral e estruturas de produção.
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